Visto para Nômades Digitais em 2026: por que Portugal pode ser mais vantajoso que a Espanha?

Portugal e Espanha estão entre os principais destinos europeus para profissionais que desejam trabalhar remotamente enquanto estabelecem residência no exterior.

Ambos os países oferecem modalidades migratórias destinadas aos chamados nômades digitais, permitindo que profissionais mantenham atividades vinculadas a empresas ou clientes estrangeiros enquanto residem legalmente na Europa.

Entretanto, embora os regimes apresentem semelhanças, existem diferenças importantes relacionadas aos requisitos de renda, comprovação da atividade profissional, procedimentos administrativos, inclusão de familiares, tributação, contribuições previdenciárias e manutenção da residência.

A escolha do país não deve considerar apenas a facilidade para obter um visto, mas também as condições jurídicas e financeiras que acompanharão o profissional durante os anos seguintes.

Em 2026, Portugal apresenta características que podem representar vantagens relevantes para profissionais internacionais, especialmente aqueles que desejam estabelecer residência de longo prazo, manter atividades profissionais no exterior e organizar sua mudança com maior previsibilidade.

Neste artigo, analisamos as principais diferenças entre os regimes português e espanhol e explicamos por que Portugal merece atenção especial no planejamento migratório de nômades digitais.

1. O que é o visto para nômades digitais?

O visto para nômades digitais é uma modalidade migratória destinada a profissionais que exercem atividades remotamente, utilizando meios tecnológicos e mantendo vínculos profissionais com empresas ou clientes localizados no exterior.

Esse regime pode abranger trabalhadores contratados por empresas estrangeiras e profissionais independentes que prestam serviços internacionalmente.

Em Portugal, a modalidade é conhecida como visto D8, destinado ao exercício de atividade profissional prestada remotamente para fora do território nacional.

Na Espanha, existe o regime de residência para teletrabalhadores de caráter internacional, previsto na Lei n.º 14/2013, com as alterações introduzidas pela legislação espanhola.

Embora ambos tenham sido estruturados para atender profissionais remotos, os requisitos e as consequências da residência não são idênticos.

Por isso, dois profissionais com atividades semelhantes podem encontrar condições bastante diferentes dependendo do país escolhido.

2. Renda mínima: por que a exigência menor da Espanha não significa necessariamente uma vantagem?

Uma das diferenças mais evidentes entre os regimes português e espanhol está no rendimento mínimo exigido para apresentar o pedido.

Portugal: rendimento mínimo de € 3.680 mensais

Em Portugal, o visto D8 exige a comprovação de rendimentos médios mensais, nos três meses anteriores ao pedido, equivalentes a pelo menos quatro vezes a remuneração mínima mensal garantida.

Considerando o salário mínimo nacional português de € 920 em 2026, o rendimento mínimo corresponde a € 3.680 mensais.

O interessado deverá demonstrar a origem e a regularidade desses rendimentos, por meio de contratos, comprovantes de pagamento, extratos bancários e demais documentos adequados à atividade profissional exercida.

Espanha: rendimento mínimo de € 2.442 mensais

Na Espanha, o requisito econômico para o titular corresponde, em regra, a 200% do salário mínimo interprofissional espanhol.

Considerando o valor de referência de € 1.221 mensais em 2026, o rendimento mínimo corresponde a € 2.442 mensais.

À primeira vista, a Espanha parece oferecer uma alternativa mais acessível.

Entretanto, essa comparação considera apenas o valor necessário para apresentar o pedido migratório.

A renda mínima exigida para obter uma autorização de residência não representa o custo efetivo de viver e trabalhar no país.

Após estabelecer residência, o profissional poderá estar sujeito a obrigações fiscais e previdenciárias que afetam diretamente sua renda disponível.

Na Espanha, além das regras de tributação dos rendimentos, o enquadramento previdenciário constitui um elemento relevante do próprio procedimento migratório.

Em Portugal, a inscrição na Segurança Social não constitui requisito específico para a concessão do visto D8.

Essa diferença pode ser relevante para profissionais que mantêm suas atividades exclusivamente vinculadas a empresas ou clientes localizados no exterior.

Além disso, a tributação dos rendimentos deve ser analisada conforme as regras de residência fiscal, a natureza da atividade profissional e os regimes eventualmente aplicáveis.

A Espanha possui mecanismos de tributação específicos que podem beneficiar determinados profissionais, mas sua aplicação depende do preenchimento de requisitos legais.

Da mesma forma, Portugal possui regras próprias de tributação, que devem ser consideradas no planejamento financeiro.

Portanto, não é possível afirmar que todos os nômades digitais pagarão menos impostos em Portugal.

O ponto fundamental é que a menor exigência de renda espanhola não garante menor carga tributária, menores contribuições previdenciárias ou maior rendimento líquido.

Para profissionais que pretendem manter atividades internacionais durante vários anos, essa análise pode ser mais importante do que a diferença inicial entre os valores mínimos exigidos.

3. Comprovação da atividade profissional: quais são as diferenças?

Em ambos os países, o interessado deverá comprovar que exerce atividade profissional compatível com o trabalho remoto.

Entretanto, os requisitos documentais apresentam diferenças.

Portugal

Para solicitar o visto D8, o profissional poderá apresentar documentos como contrato de trabalho, declaração da entidade empregadora, contrato de prestação de serviços ou documentação relacionada à atividade profissional independente.

Também deverá demonstrar os rendimentos exigidos e a possibilidade de exercer suas atividades remotamente para entidades localizadas fora de Portugal.

A documentação dependerá da natureza da relação profissional.

Espanha

Na Espanha, além da comprovação da atividade remota, existem requisitos específicos relacionados à empresa estrangeira e ao vínculo profissional.

Em determinadas situações, será necessário demonstrar que a empresa estrangeira possui atividade efetiva há pelo menos um ano.

O interessado também deverá comprovar uma relação profissional ou laboral prévia, em regra, de pelo menos três meses, além da possibilidade de continuidade da atividade remotamente.

Essas exigências podem representar dificuldades adicionais para profissionais que iniciaram recentemente suas atividades ou mantêm vínculos com empresas de constituição recente.

Nesse aspecto, Portugal pode apresentar uma estrutura documental mais adequada para determinados profissionais que já possuem rendimentos regulares e atividade remota comprovada.

Isso não elimina a necessidade de apresentar documentação consistente, mas demonstra que os dois regimes adotam critérios diferentes.

4. Procedimento de solicitação: como obter a residência em cada país?

Os procedimentos administrativos também devem ser considerados no planejamento da mudança.

Portugal: visto de residência e autorização perante a AIMA

Em Portugal, o procedimento normalmente começa com a solicitação do visto D8 perante o posto consular português competente.

Após a concessão do visto e a entrada no país, o interessado deverá cumprir os procedimentos necessários à obtenção da autorização de residência perante a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

A autorização de residência é, em regra, concedida inicialmente por dois anos, sendo renovável por períodos sucessivos de três anos.

Esse modelo permite que o profissional organize sua residência em Portugal dentro de uma estrutura migratória destinada especificamente ao trabalho remoto.

Espanha: visto consular ou solicitação direta de residência

Na Espanha, o interessado poderá solicitar o visto perante o consulado competente.

Também existe a possibilidade de apresentar diretamente um pedido de autorização de residência perante a Unidad de Grandes Empresas y Colectivos Estratégicos (UGE), quando o profissional se encontra legalmente em território espanhol e reúne os requisitos aplicáveis.

A autorização poderá ter validade inicial de até três anos, conforme as condições legais.

O procedimento espanhol prevê prazo legal de decisão de 20 dias úteis para determinadas solicitações apresentadas à UGE.

Embora a possibilidade de solicitação direta na Espanha represente uma facilidade administrativa, a escolha do país deve considerar também as obrigações associadas à residência depois da aprovação.

5. Segurança Social: uma diferença essencial para os nômades digitais

As contribuições previdenciárias representam um dos aspectos mais importantes da comparação entre Portugal e Espanha.

Isso ocorre porque as obrigações de inscrição e contribuição podem produzir custos recorrentes durante a residência.

Portugal: a inscrição na Segurança Social não é requisito específico do D8

A legislação portuguesa não estabelece a inscrição na Segurança Social como requisito específico para a concessão do visto D8.

Consequentemente, a análise inicial do pedido migratório concentra-se na comprovação da atividade profissional remota, dos rendimentos e dos demais requisitos legais.

Essa característica representa uma diferença importante em relação ao regime espanhol, especialmente para profissionais que exercem suas atividades exclusivamente para empresas ou clientes localizados no exterior.

Espanha: exigências específicas de enquadramento previdenciário

Na Espanha, o regime dos teletrabalhadores internacionais exige a comprovação do enquadramento previdenciário do profissional.

No caso dos trabalhadores empregados, poderá ser necessária a inscrição no sistema espanhol ou a apresentação de documentação que comprove a manutenção da cobertura previdenciária estrangeira, quando admitida por acordo internacional aplicável.

Para profissionais independentes, o regime prevê a inscrição no Régimen Especial de Trabajadores Autónomos (RETA).

Essa inscrição poderá gerar contribuições periódicas calculadas conforme as regras espanholas.

A diferença é relevante porque o custo de manutenção da residência não se limita aos impostos sobre os rendimentos. As contribuições previdenciárias também podem representar uma parcela importante do planejamento financeiro.

Assim, um profissional que atende ao requisito econômico espanhol poderá precisar considerar obrigações adicionais antes de concluir que essa modalidade representa a alternativa mais vantajosa.

Portugal, por sua vez, apresenta uma estrutura migratória em que a inscrição previdenciária não integra os requisitos específicos para a concessão do D8.

6. Tributação dos rendimentos: Portugal ou Espanha?

A tributação constitui outro elemento essencial para profissionais que recebem rendimentos de empresas ou clientes localizados no exterior.

Portugal e Espanha adotam sistemas progressivos de imposto sobre a renda das pessoas físicas, mas possuem diferenças na forma de cálculo e nas regras aplicáveis.

Tributação em Portugal

Em Portugal, o Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) possui alíquotas progressivas, que variam conforme o rendimento coletável e as condições individuais do contribuinte.

A caracterização da residência fiscal poderá gerar obrigações relacionadas à declaração e à tributação de rendimentos provenientes do exterior.

A incidência efetiva dependerá da natureza dos rendimentos, das deduções aplicáveis, das convenções internacionais e de outros elementos específicos.

Tributação na Espanha

Na Espanha, o Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF) também possui caráter progressivo.

Entretanto, sua estrutura combina componentes de tributação estatal e regional, de modo que a carga tributária pode variar conforme a comunidade autônoma em que o contribuinte estabelece residência.

A Espanha também possui um regime fiscal especial aplicável a determinados profissionais que transferem sua residência para o país, desde que preenchidos os requisitos legais.

Por isso, a comparação não deve ser feita exclusivamente com base nas alíquotas máximas de cada país.

O impacto sobre a renda disponível

Para um nômade digital, o aspecto mais relevante não é apenas a renda bruta exigida para obter a residência.

É necessário avaliar quanto dessa renda permanecerá disponível depois do pagamento dos impostos e das contribuições previdenciárias efetivamente aplicáveis.

Uma modalidade migratória com exigência econômica inferior pode envolver obrigações que alterem significativamente o planejamento financeiro.

Por isso, a comparação entre Portugal e Espanha deve considerar a tributação efetiva, o enquadramento previdenciário e a estrutura profissional do interessado, e não apenas o valor mínimo exigido para solicitar a residência.

Para determinados perfis internacionais, as características do sistema português podem representar vantagens importantes.

7. Patrimônio e investimentos internacionais: uma vantagem estrutural de Portugal

Para profissionais que possuem imóveis, investimentos financeiros, participações empresariais ou outros ativos no exterior, a tributação patrimonial também merece atenção.

Nesse aspecto, Portugal apresenta uma diferença relevante em relação à Espanha.

Portugal não possui um imposto geral anual sobre a totalidade do patrimônio líquido das pessoas físicas.

Existem impostos incidentes sobre determinados bens e operações, como o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e o Adicional ao IMI (AIMI), quando aplicável.

Entretanto, não existe uma tributação anual genérica sobre a soma de todos os bens e direitos de uma pessoa.

Na Espanha, por outro lado, existe o Impuesto sobre el Patrimonio, cuja incidência depende de fatores como o valor dos bens, as isenções, as deduções e a comunidade autônoma de residência.

O país também possui tributação específica sobre grandes fortunas, sujeita aos requisitos legais.

Isso não significa que todos os residentes espanhóis estejam sujeitos a esses impostos.

Entretanto, a existência dessas modalidades de tributação patrimonial representa uma diferença estrutural importante.

Para nômades digitais que também são empresários, investidores ou titulares de patrimônio internacional, a ausência de um imposto geral anual sobre o patrimônio líquido em Portugal pode representar uma vantagem relevante no planejamento de longo prazo.

É importante distinguir, contudo, a tributação da propriedade dos bens da tributação dos rendimentos produzidos por esses bens.

Dividendos, juros, rendimentos imobiliários e ganhos de capital poderão estar sujeitos a regras próprias.

8. Inclusão de familiares: quais são os requisitos?

A possibilidade de estabelecer residência com familiares é especialmente importante para profissionais que pretendem realizar uma mudança internacional de longo prazo.

Portugal e Espanha possuem mecanismos que permitem a residência de familiares, observados os requisitos legais.

Portugal

Em Portugal, a inclusão de familiares deverá observar as regras aplicáveis ao acompanhamento ou reagrupamento familiar, conforme a situação concreta.

Poderá ser necessária a comprovação de meios de subsistência adicionais, considerando a composição familiar e os critérios estabelecidos pela legislação.

O procedimento dependerá do vínculo familiar, da situação migratória do titular e das disposições legais aplicáveis.

Espanha

Na Espanha, os familiares elegíveis poderão solicitar a autorização correspondente.

O requisito econômico é acrescido de valores relacionados aos familiares que acompanham o titular.

Em 2026, os valores de referência são:

  • Titular: € 2.442 mensais;
  • Primeiro familiar: acréscimo de € 916 mensais;
  • Cada familiar adicional: acréscimo de € 306 mensais.

Assim, um profissional acompanhado de um familiar deverá demonstrar, como referência, € 3.358 mensais.

Os familiares que obtenham autorização de residência no âmbito desse regime também poderão exercer atividades profissionais na Espanha, conforme a legislação aplicável.

A comparação entre os países deve considerar não apenas os valores exigidos, mas também o procedimento adequado para cada integrante da família.

9. Possibilidade de trabalhar durante a residência

Outra questão importante é a possibilidade de exercer atividades profissionais para empresas localizadas no próprio país de residência.

Portugal

O visto D8 destina-se a profissionais que exercem atividades remotamente para entidades localizadas fora do território português.

Por isso, o interessado deverá comprovar que sua atividade se enquadra nessa finalidade.

A possibilidade de exercer outras atividades profissionais em Portugal deverá ser analisada conforme o título de residência e o regime jurídico aplicável.

Espanha

Na Espanha, o regime estabelece uma distinção entre trabalhadores empregados e profissionais independentes.

Para trabalhadores empregados, a atividade que fundamenta a autorização deve ser exercida para a empresa estrangeira.

Profissionais independentes poderão, observados os requisitos legais, desenvolver determinadas atividades para empresas espanholas.

Nesse caso, a atividade prestada a empresas localizadas na Espanha não poderá ultrapassar 20% da atividade profissional total.

Embora essa possibilidade possa ser interessante para determinados profissionais, ela não elimina as demais exigências migratórias, fiscais e previdenciárias.

10. Validade da autorização de residência e planejamento de longo prazo

A duração da autorização de residência também deve ser considerada.

Em Portugal, a autorização de residência para atividade profissional remota é, em regra, concedida inicialmente por dois anos e renovável por períodos sucessivos de três anos.

Na Espanha, a autorização de residência para teletrabalhadores internacionais poderá ter validade inicial de até três anos, conforme os requisitos aplicáveis.

Entretanto, a validade inicial do título não é o único fator relevante.

Para profissionais que pretendem estabelecer residência de longo prazo, também é importante considerar os requisitos de renovação, as condições para manutenção da residência e as possibilidades futuras de residência permanente ou de longa duração.

Esses procedimentos possuem regras próprias e não devem ser confundidos com os requisitos iniciais de concessão do visto.

Portugal oferece diferentes modalidades de residência e mecanismos de continuidade da permanência legal, permitindo que o interessado organize seu projeto migratório conforme seus objetivos profissionais e familiares.

11. Permanência fora do país: quais são os limites?

A possibilidade de viajar e permanecer temporariamente fora do país é especialmente relevante para profissionais que trabalham remotamente.

Entretanto, a manutenção de uma autorização de residência não significa liberdade irrestrita para permanecer no exterior.

Portugal

Em Portugal, a legislação estabelece regras relativas às ausências do território nacional durante a validade da autorização de residência temporária.

Em termos gerais, ausências superiores a seis meses consecutivos ou oito meses interpolados durante o período de validade do título podem gerar consequências, ressalvadas as situações legalmente justificadas.

A aplicação dessas regras deverá considerar o tipo de autorização e as circunstâncias concretas.

Espanha

Na Espanha, é necessário distinguir as condições de manutenção da autorização, os requisitos de renovação e as regras aplicáveis a futuras solicitações de residência de longa duração ou nacionalidade.

Esses procedimentos não possuem necessariamente os mesmos critérios de permanência.

Por isso, não é adequado considerar um limite único de ausência como aplicável a todos os titulares da autorização espanhola para teletrabalho internacional.

Antes de organizar períodos prolongados fora do país, o profissional deverá verificar as condições específicas do título e os objetivos migratórios futuros.

12. Qualidade de vida e estabilidade: por que Portugal continua atraindo profissionais internacionais?

Além dos aspectos jurídicos e financeiros, a qualidade de vida também desempenha um papel importante na escolha do país de residência.

Portugal reúne características que contribuem para sua atratividade entre profissionais internacionais, incluindo localização geográfica, clima, diversidade regional e acesso a outros países europeus.

Lisboa e Porto concentram serviços especializados, instituições de ensino, infraestrutura e comunidades internacionais.

Outras regiões portuguesas oferecem alternativas para quem procura cidades menores, proximidade com a natureza e diferentes estilos de vida.

Para profissionais que trabalham remotamente, a possibilidade de escolher entre diferentes regiões pode contribuir para uma melhor adaptação às necessidades pessoais e familiares.

Entretanto, a escolha da localização deverá considerar o mercado imobiliário, os serviços disponíveis e as condições individuais.

A combinação entre qualidade de vida e planejamento jurídico adequado pode contribuir para uma mudança mais organizada e sustentável.

13. Portugal ou Espanha: qual país oferece mais vantagens para nômades digitais em 2026?

Não existe uma única resposta aplicável a todos os profissionais que pretendem estabelecer residência na Europa.

Entretanto, a comparação entre Portugal e Espanha demonstra que a escolha não deve ser baseada exclusivamente na renda mínima exigida ou na aparente rapidez do procedimento.

A Espanha apresenta uma exigência econômica inicial inferior e permite, em determinadas situações, a solicitação direta da autorização de residência por profissionais que já se encontram legalmente no país.

Por outro lado, o regime espanhol estabelece requisitos específicos relacionados ao vínculo profissional, à atividade da empresa estrangeira e ao enquadramento previdenciário.

Portugal apresenta características que podem representar vantagens importantes, especialmente para profissionais com atividades internacionais consolidadas, empresários, investidores e pessoas que pretendem estabelecer residência de longo prazo.

Entre essas características estão a estrutura do visto D8, a ausência de inscrição na Segurança Social como requisito específico para sua concessão e a inexistência de um imposto geral anual sobre o patrimônio líquido das pessoas físicas.

Esses elementos devem ser avaliados em conjunto com as obrigações fiscais e administrativas efetivamente aplicáveis a cada profissional.

A questão central não é descobrir em qual país é necessário ganhar menos para obter uma autorização de residência, mas identificar qual regime oferece condições mais adequadas para viver, trabalhar e organizar a vida financeira ao longo dos anos.

Para determinados perfis, Portugal pode representar uma escolha especialmente interessante, inclusive quando o requisito econômico inicial é superior ao espanhol.

Conclusão: Portugal pode oferecer vantagens que vão além do visto D8

Portugal e Espanha oferecem oportunidades para profissionais que desejam trabalhar remotamente e estabelecer residência na Europa.

Entretanto, as diferenças entre os regimes demonstram que a análise não deve se limitar aos requisitos iniciais do pedido.

Renda mínima, comprovação da atividade profissional, procedimentos administrativos, inclusão de familiares, tributação, contribuições previdenciárias e manutenção da residência são fatores que podem influenciar significativamente a experiência do profissional após a mudança.

Em 2026, Portugal apresenta características jurídicas e fiscais que podem representar vantagens relevantes para determinados nômades digitais, especialmente aqueles que possuem atividades profissionais internacionais, patrimônio diversificado ou interesse em estabelecer residência de longo prazo.

Por isso, antes de iniciar o procedimento, é recomendável avaliar não apenas a possibilidade de obtenção do visto, mas também as consequências jurídicas e financeiras associadas à residência.

A melhor escolha não é necessariamente aquela que exige a menor renda ou oferece o procedimento aparentemente mais simples, mas aquela que proporciona condições mais adequadas à realidade profissional, patrimonial e familiar de cada interessado.

Assessoria jurídica para obtenção do visto D8 em Portugal

A Rafaela Barbosa Advocacia Internacional presta assessoria jurídica a clientes de diferentes nacionalidades interessados em estabelecer residência em Portugal, incluindo profissionais remotos, empreendedores, investidores e famílias.

Nossa atuação contempla a análise do enquadramento migratório, a orientação documental, a preparação dos pedidos de visto e o acompanhamento jurídico dos procedimentos de residência perante as autoridades competentes.

Rafaela Barbosa Advocacia Internacional

Especialistas em imigração, nacionalidade portuguesa e mobilidade internacional.

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November 2, 2026
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